O que não mais quero ser
Sempre evitei definições pessoais. Talvez porque não acredite nelas. Ou porque não queira me limitar a elas. Na maior parte do tempo prefiro que as músicas e os poemas falem por minha personalidade ou reflitam um determinado contexto pessoal.
Entretanto, há momentos da vida que demandam um começo e um fim, um travessão e um ponto final que demarquem as fronteiras do que as experiências, as pessoas e os sonhos resultaram
- Hoje eu compreendo que sou conseqüência das minhas amizades. E não há nesta afirmação nenhum tom temível do tipo “diga-me com quem andas que direi quem tu és”, que ouvi inúmeras vezes de bocas ameaçadoras durante minha infância e adolescência. Pelo contrário, evidencio de maneira muito libertadora a possibilidade de vivenciar a humanidade com quem não tem medo dela. Descobri, por meio de determinadas amizades, que os “melhores corações” não necessitam afirmar que assim o são. Que as “melhores condutas” são aquelas que questionam o porquê do estabelecido. E que as “melhores mentes” não dependem e não desejam que todos ajam padronizadamente. Eu não sou boa. Eu não sou normal. Eu não sou inteligente. Eu não mais finjo para mim mesma ser o que não sou. Tudo isso porque me recuso cumprir os requisitos socialmente construídos de prestígio, de santidade e de normalidade que definem os marginalizados, os ímpios e os anormais. Tudo isso porque cansei de ser comum. A partir de agora aprenderei a incondicionalidade do amor entre os “imorais”.
[Thais Moya - 22/09/2008]

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home