Quartos escuros...
Causa-me repulsa enxergar o que há dentro de mim. Lá existem coisas que eu prefiro não saber. Entretanto lá elas estão e agora eu já sei.
Quartos escuros foram invadidos e remexidos. E uma pequena fenda permitiu luz.
Muito de mim guardado, amarrado em caixas escondidas. Outras disfarçadas em meio a todo resto.
Quase não reconheci. Por pouco não conclui que pertenciam a alguém distraído que por ali tinha passado. Logo lembrei que apenas eu conheço o caminho.
Um homem uma vez escreveu:
“(...)Tenho mais almas que uma.
Há mais ´eus´ do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam...”[1]
Seria isso, então? Estava eu sendo apresentada ao restante de mim?
Não apreciei o que vi. Ou será que era meu bom senso (bom?) alertando-me a não apreciar?
Já era tarde. O restante de mim havia me reconhecido. E logo reivindicou seu espaço.
Soltei as amarras e libertei sentimentos sufocados, perguntas caladas e vontades desnutridas.
Livres, cresceram e quase não cabem em mim.
Vivo um constante estranhamento e reconhecimento do que sou.
Talvez ainda me reste tempo e oportunidade de não repetir o que viveu o homem:
“Fiz de mim o que não soube.
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara
Estava pregada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho
Já tinha envelhecido.”[2]
Não quero mais mentir. Ou omitir (se assim prefere) quem realmente sou.
Encontrei o que havia perdido: minha mais sincera humanidade.
De humanidade sou feita. E a humanidade nunca foi perfeita.
Quartos escuros foram invadidos e remexidos. E uma pequena fenda permitiu luz.
Muito de mim guardado, amarrado em caixas escondidas. Outras disfarçadas em meio a todo resto.
Quase não reconheci. Por pouco não conclui que pertenciam a alguém distraído que por ali tinha passado. Logo lembrei que apenas eu conheço o caminho.
Um homem uma vez escreveu:
“(...)Tenho mais almas que uma.
Há mais ´eus´ do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam...”[1]
Seria isso, então? Estava eu sendo apresentada ao restante de mim?
Não apreciei o que vi. Ou será que era meu bom senso (bom?) alertando-me a não apreciar?
Já era tarde. O restante de mim havia me reconhecido. E logo reivindicou seu espaço.
Soltei as amarras e libertei sentimentos sufocados, perguntas caladas e vontades desnutridas.
Livres, cresceram e quase não cabem em mim.
Vivo um constante estranhamento e reconhecimento do que sou.
Talvez ainda me reste tempo e oportunidade de não repetir o que viveu o homem:
“Fiz de mim o que não soube.
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara
Estava pregada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho
Já tinha envelhecido.”[2]
Não quero mais mentir. Ou omitir (se assim prefere) quem realmente sou.
Encontrei o que havia perdido: minha mais sincera humanidade.
De humanidade sou feita. E a humanidade nunca foi perfeita.

